Dr. Michael Laitman Para mudar o Mundo – Mude o Homem

Como Ocupar e Alimentar Sete Bilhões de Pessoas

Do livro “A Psicologia da Sociedade Integral”

− Em diferentes sociedades, as pessoas percebem a noção de “meu” de forma diferente. Algumas consideram apenas o seu apartamento como algo próprio e não se importam com o que está acontecendo no ônibus ou no metrô, por isso jogam o lixo lá, no chão. Outras pessoas, porém, consideram uma cidade inteira como sua. Será que a pessoa integrada que você descreve considera o mundo inteiro como seu próprio?
− Sim, mas ela chega lá de forma gradual. Não podemos exigir tudo das pessoas de uma só vez. Não devemos nos concentrar nos indivíduos, mas, em vez disso, no ambiente social, porque é isso que os educa. Temos de criar tal ambiente em torno de uma pessoa para educá-la da maneira correta.
Vemos hoje, em todo o mundo, um enorme número de pessoas desempregadas. Por outro lado, uma grande quantidade de produtos supérfluos está sendo produzida. Se liberarmos as pessoas que produzem os produtos supérfluos, descobriremos que apenas metade de um bilhão dos 6,5 bilhões de pessoas no mundo precisa trabalhar, enquanto o resto não tem nada para fazer. Então, como elas se alimentarão?
As pessoas serão pagas para criar o ambiente social certo. Deverão existir organizações globais, regionais, municipais e de bairro cuja única finalidade e atividade será promover o conceito do modo de vida integrado.
Se esse é seu trabalho, você, portanto, é um educador para todo mundo. Você tem de criar filmes, anúncios, fotos e livros sobre isso, e você tem de falar sobre isso. Seu trabalho é andar pelas ruas e sorrir para todos os que você vê. Isso mesmo! Haverá
trabalho para todos, enquanto metade de um bilhão de trabalhadores alimentará os outros, sem produzir nada de excessivo nem poluindo a terra.
Essa abordagem dá às pessoas a intenção correta. Elas começam tratando os outros com gentileza, porque é sua obrigação, enquanto os outros percebem isso como a norma do novo comportamento.
Não importa que elas recebam dinheiro para agir dessa maneira. O importante é que transformem o hábito em uma segunda natureza, evocando a influência favorável da Natureza sobre elas, porque elas se tornam semelhantes à Natureza.
Somente agora começamos a estudar a influência de nossos pensamentos e desejos sobre a Natureza. É impressionante como até mesmo animais e plantas percebem a bondade e começam a nos tratar de forma diferente. E as pessoas são ainda mais sensíveis que as flores e os animais.
Ao nos tornarmos semelhantes à Natureza, evocaremos uma enorme influência positiva sobre o mundo e ele realmente mudará. Para conseguir isso, precisaremos criar um bom sistema de educação, envolvendo nisso bilhões de pessoas desempregadas, que farão precisamente esse trabalho.
Isso exigirá cerca de metade da humanidade para erguer a geração jovem. Não serão necessários professores de várias disciplinas, mas educadores ─ pessoas que darão aos jovens exemplos de comportamento correto em uma sociedade global. Tem de haver tantos educadores como há pessoas sendo erguidas.
Então nos encontraremos nesse mecanismo integrado para o qual a Natureza está nos forçando. De repente, como a embreagem em um carro, começaremos a nos conectar como engrenagens, “click”, e estarei conectado, incapaz de me mover para qualquer lugar sozinho. Agora o que devo fazer?
Esse mecanismo também deve conter engrenagens adequadas que dizem: “Você não tem de girar juntamente com todos. Anule-se a si mesmo e você verá que todo mundo está girando do jeito que você quer.” Quando você fizer isso, então você alcançará a liberdade.
− Quando você descreve esse quadro, me lembra a minha infância. Nós também tivemos momentos em que agimos juntos. Havia uma atmosfera maravilhosa, quando nós construíamos castelos de neve em conjunto, por exemplo. Os valentões, no entanto, chegavam, destruíam tudo o que construímos e batiam em nós.
Você acha que, se construirmos esse sistema corretamente, não haverá nenhum valentão?
− Imagine que você contrate 3 bilhões de pessoas para o trabalho e comece a treiná-las. Elas não fazem nada além de estudarem na universidade. Todo mundo está sentado em frente às telas de computador, estudando pela internet. Cada pessoa está aprendendo na sua própria língua sobre o mundo em que vive, e ela está sendo paga para isso. As pessoas escrevem artigos e relatórios e estudam como na escola a partir dos 20 anos de idade até a velhice. Aos famintos e sem-teto é dado tudo o de que necessitam, e o trabalho pelo qual são pagos é estudar e fazer os deveres de casa.
Toda pessoa tem de passar por esse tipo de escolaridade e obter um diploma que lhe permita viver confortavelmente. Depois de seis meses, você a nomeia educadora durante metade de um dia, enquanto ela continua a estudar durante a segunda metade do dia de trabalho. Aos poucos, ela entra nesse sistema por conta própria e começa a se comportar do jeito que lhe foi ensinado.
Ao providenciar o trabalho necessário para todos, você cria uma atmosfera normal. A Natureza se torna equilibrada e cessa de nos punir com terremotos, tsunamis e furacões. Nós próprios evocamos esses problemas, porque a mente humana, os desejos e as diretrizes influenciam a Natureza mais do que tudo.

 

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