{"id":1871,"date":"2015-12-07T09:02:13","date_gmt":"2015-12-07T12:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/?p=1871"},"modified":"2017-12-07T09:12:11","modified_gmt":"2017-12-07T12:12:11","slug":"pesquisa-em-economia-desafia-equacao-que-riqueza-e-igual-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/artigos\/pesquisa-em-economia-desafia-equacao-que-riqueza-e-igual-felicidade\/","title":{"rendered":"Pesquisa em Economia Desafia a Equa\u00e7\u00e3o que Riqueza \u00e9 Igual \u00e0 Felicidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Do livro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.michaellaitman.com\/artigos\/os-beneficios-da-nova-economia\/\">\u201cOs Benef\u00edcios da Nova Economia\u201d<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">A chave para a felicidade n\u00e3o \u00e9 a riqueza, mas uma conex\u00e3o de responsabilidade m\u00fatua entre n\u00f3s<\/p>\n<p>Pontos-chave<\/p>\n<ul>\n<li>Estudos comprovam que, al\u00e9m de certo rendimento, a renda adicional n\u00e3o necessariamente aumenta a felicidade.<\/li>\n<li>Quando atingir uma meta que estabelecemos para n\u00f3s mesmos, a satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 breve e fugaz.<\/li>\n<li>Medir o bem-estar e qualidade de vida pelo crescimento do produto interno bruto distorce a imagem real.<\/li>\n<li>Outras medidas como o valor das rela\u00e7\u00f5es humanas podem representar a felicidade pessoal com mais sucesso.<\/li>\n<li>Educar para a responsabilidade m\u00fatua e da solidariedade social vai mudar as rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>O Estudo da Felicidade<\/h4>\n<p>A m\u00e1xima: &#8220;O dinheiro n\u00e3o pode comprar felicidade&#8221;, foi confirmada em uma s\u00e9rie de estudos em economia e psicologia. Esses estudos mostram que, apesar do aumento do padr\u00e3o de vida e de riqueza nos pa\u00edses industrializados, o n\u00edvel de felicidade permanece estagnado. Em 1974, Professor de Economia na Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, Richard A. Easterlin publicou um estudo pioneiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, &#8220;O Crescimento Econ\u00f3mico Melhora a Por\u00e7\u00e3o Humana? Alguma Evid\u00eancia Emp\u00edrica,\u201d [39] , estabeleceu o que hoje \u00e9 conhecido como \u201cO Paradoxo Easterlin\u201d, um conceito chave na economia felicidade. O paradoxo afirma que em compara\u00e7\u00f5es internacionais, o n\u00edvel m\u00e9dio de felicidade relatado n\u00e3o varia muito com o rendimento nacional por pessoa, pelo menos para os pa\u00edses com renda suficiente para satisfazer as necessidades b\u00e1sicas. Easterlin argumentou que a felicidade pessoal n\u00e3o depende de renda absoluta das pessoas, mas da relativa. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o infelizes porque s\u00e3o pobres, mas porque s\u00e3o (ou percebem-se) na parte inferior de uma escala em que se medem.<\/p>\n<p>Abaixo est\u00e1 um diagrama demonstrando renda m\u00e9dia comparada com a felicidade nos Estados Unidos, 1957-2002, divulgado pelo World Watch Institute, em 2004 27:<\/p>\n<p>Easterlin n\u00e3o era o \u00fanico que tinha d\u00favidas de que uma economia de sucesso \u00e9 medida pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e os par\u00e2metros relacionados a isto. Em uma palestra no TED, Ideas Worth Spreading,28 Nic Marks, Nic Marks, fundador do Centro de Bem-Estar no New&nbsp; Economics&nbsp; Foundation&nbsp; (NEF),&nbsp; fez&nbsp; alguns&nbsp; argumentos&nbsp; muito&nbsp; contundentes&nbsp; sobre como&nbsp;medir a felicidade. \u201cComo \u00e9 louco que essa nossa medida de progresso, a nossa medida dominante do progresso na sociedade, est\u00e1 medindo tudo, exceto aquilo que faz a vida valer a pena [bem-estar]? Um dos problemas que enfrentamos&#8230; \u00e9 que as \u00fanicas pessoas que t\u00eam conquistado o mercado em termos de progresso \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o financeira de que o progresso \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8230; que de alguma forma, se obtivermos os n\u00fameros certos para ir para cima, seremos melhores&#8230; que de alguma forma a vida ficar\u00e1 melhor. Isto \u00e9 de alguma forma atraente para a cobi\u00e7a humana&#8230; que mais \u00e9 melhor. Vamos! No mundo ocidental, temos o suficiente.\u201d<\/p>\n<h4>A crise econ\u00f4mica como uma oportunidade de examinar o paradigma econ\u00f4mico<\/h4>\n<p>O estudo da felicidade \u00e9 cada vez mais pertinente do que nunca nestes dias de crise global. A equa\u00e7\u00e3o: riqueza = felicidade est\u00e1 na base dos paradigmas econ\u00f4micos existentes. Em grande medida, determina o nosso modo de vida, sua qualidade, nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e as rela\u00e7\u00f5es entre cidad\u00e3os e Estado. Em grande medida, a cren\u00e7a de que a riqueza = felicidade tamb\u00e9m afeta a natureza do sistema internacional econ\u00f4mico inteiro.<\/p>\n<p>Cada calouro da faculdade entende que a express\u00e3o, \u201cmaximizando a utilidade sob um limite de or\u00e7amento existente\u201d, \u00e9 o mesmo que o n\u00edvel m\u00e1ximo de felicidade que pode ser obtido com uma determinada quantia de dinheiro. A crise contempor\u00e2nea \u00e9 uma oportunidade para analisar se o atual paradigma econ\u00f4mico e o sistema de vida existente realmente alcan\u00e7aram seus objetivos e proporcionar \u00e0s pessoas felicidade.<\/p>\n<h4>Realidade vs. o Sonho Americano<\/h4>\n<p>Em seu livro de 1931, The Epic of America, escritor e historiador americano James Truslow Adams, cunhou o termo, \u201cO Sonho Americano\u201d. Ele escreveu: \u201cA vida deve ser melhor e mais rica e mais plena para todos os homens, com oportunidade para cada um de acordo com a sua capacidade ou realiza\u00e7\u00e3o\u201d 29<\/p>\n<p>Esse sonho tornou-se a aspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de todas as crian\u00e7as e adultos na Am\u00e9rica, mas o sonho de milhares de milh\u00f5es em todo o mundo. Este sonho se traduz na cren\u00e7a de que para ser feliz, \u00e9 preciso ter uma casa pr\u00f3pria, de prefer\u00eancia uma grande casa, para uma \u00fanica fam\u00edlia, em bairro bom, dois carros por fam\u00edlia, e uma economia substancial para os anos dourados. Nesse sonho, cada nova chegada \u00e0 Am\u00e9rica pode se tornar rica e pr\u00f3spera, apenas se a pessoa trabalhar duro o suficiente.<\/p>\n<p>Infelizmente, a realidade de hoje n\u00e3o \u00e9 O Sonho Americano. Na realidade, milhares de pessoas na Am\u00e9rica n\u00e3o podem trabalhar duro e fazer seus sonhos se tornarem realidade, simplesmente porque n\u00e3o conseguem um emprego. Os sistemas de sa\u00fade e bem-estar s\u00e3o t\u00e3o desiguais e deformados que s\u00f3 perpetuam as desigualdades socioecon\u00f4micas. Na verdade, poucas pessoas realizam O Sonho Americano, enquanto o resto continua a lutar para evitar a pobreza.<\/p>\n<p>Mas a maior surpresa sobre O Sonho Americano n\u00e3o \u00e9 que apenas poucos tornam esse sonho realidade. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 o fato de que mesmo aqueles que conseguem n\u00e3o s\u00e3o mais felizes!<\/p>\n<h4>Felicidade \u2014 N\u00e3o \u00c9 uma Ci\u00eancia Exata<\/h4>\n<p>Tal Ben Shahar \u00e9 um PhD em comportamento organizacional e um renomado professor e escritor sobre a psicologia positiva e lideran\u00e7a. Ele afirma que a raiz de sensa\u00e7\u00f5es negativas \u00e9 interna \u2014 um conceito err\u00f4neo de felicidade que causa frustra\u00e7\u00e3o prolongada. Em uma entrevista com o jornal israelense Calcalist, ele diz: \u201cAs pessoas de sucesso, muitas vezes experimentam n\u00edveis mais elevados de depress\u00e3o ou insatisfa\u00e7\u00e3o. A principal raz\u00e3o para isso \u00e9 que o mecanismo operando dentro de muitos de n\u00f3s nos faz pensar que quando recebemos algo \u2014 um aumento, um carro novo, ou uma nova casa \u2014 seremos felizes. Dessa forma, vivemos com a sensa\u00e7\u00e3o de que temos algo a procurar. O problema \u00e9 que quando conseguimos o objetivo que t\u00ednhamos definido a sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o e alegria que deriva \u00e9 tempor\u00e1ria e desaparece rapidamente. N\u00f3s experimentamos um aumento no n\u00edvel de felicidade, mas rapidamente voltamos ao lugar de onde viemos antes de obter o que quer\u00edamos, s\u00f3 que agora estamos desapontados e, por vezes perdidos. Esse mecanismo de felicidade \u00e9 defeituoso desde o n\u00facleo. Paradoxalmente, ele nos faz muito mais infelizes, especialmente quando obtemos o que queremos\u201d 30.<\/p>\n<h4>A Grama do vizinho \u00c9 Mais Verde<\/h4>\n<p>Outra raz\u00e3o para a diferen\u00e7a entre renda e felicidade \u00e9 a nossa tend\u00eancia a medir-nos em rela\u00e7\u00e3o aos outros, mais comumente conhecido como \u201cMantendo o passo com o vizinho\u201d. Numerosos estudos em economia comportamental mostram que as pessoas se comportam irracionalmente quando se comparam a outros. Como os economistas David Hemenway e Sara Solnick demonstraram em um estudo na Universidade de Harvard, muitas pessoas preferem receber um sal\u00e1rio anual de US $ 50.000 quando outros recebem $ 25.000, depois ganhar US $ 100.000 por ano, quando os outros est\u00e3o ganhando $ 200.00031. Da mesma forma, os economistas Daniel Zizzo e Andrew Oswald realizaram um estudo que mostrou que as pessoas que desistiriam do dinheiro, se outras pessoas desistissem de uma quantia um pouco maior.32<\/p>\n<h4>Riqueza Significa Seguran\u00e7a Financeira \u2014 ou Faz Isto?<\/h4>\n<p>Estudos foram realizados para determinar se uma pessoa com uma renda maior teria menos preocupa\u00e7\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o com uma pessoa que mal podia fazer face \u00e0s suas despesas. Os resultados foram fascinantes. A professora de economia comportamental da Universidade de Princeton, Talya Miron-Shatz, testou a conex\u00e3o entre o n\u00edvel de renda e senso de seguran\u00e7a financeira. Ela descobriu que a \u201cseguran\u00e7a financeira contribui para a predi\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o com a vida, acima da contribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d 33.<\/p>\n<h4>O Mundo Est\u00e1 Mudando, e Assim \u00c9 a Percep\u00e7\u00e3o de Felicidade<\/h4>\n<p>Os resultados dos estudos acima referidos, e em muitos mais, desafiam as conven\u00e7\u00f5es mais fundamentais da nossa sociedade. Estamos come\u00e7ando a perceber que a equa\u00e7\u00e3o atual de dinheiro = felicidade simplesmente n\u00e3o \u00e9 verdade. Em vez disso, a busca de riqueza causa frustra\u00e7\u00e3o, prejudica a nossa sa\u00fade, e danifica as nossas rela\u00e7\u00f5es com os outros por cultivar concorr\u00eancia e egocentrismo. Nosso pensamento est\u00e1 come\u00e7ando a mudar a partir do sentido individualista &#8211; competitivo para um que seja mais equilibrado e harmonioso com o ambiente e com os outros.<\/p>\n<p>O nosso comportamento como consumidores, nossa atitude em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro, e as satisfa\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas a ter dinheiro est\u00e3o come\u00e7ando a ajustar-se \u00e0 realidade global e interconectada em que vivemos, onde estamos todos ligados uns aos outros, afetando uns aos outros como pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7as mundial. Nesse sistema, que pode ser chamado de \u201cglobal-integral\u201d, estamos come\u00e7ando a sentir o vazio dos valores do consumismo e a busca de bens materiais. Aqueles que se esfor\u00e7am por eles e acreditam que o dinheiro significa felicidade est\u00e3o come\u00e7ando a perceber que os m\u00e9todos tradicionais para obter a felicidade j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o funcionando porque o mundo mudou para uma unidade global-integral. Por esta raz\u00e3o n\u00e3o podemos chegar \u00e0 felicidade se esta n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 felicidade dos outros, e certamente n\u00e3o se vem \u00e0 custa dos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Capitalismo e Felicidade \u2014 N\u00e3o \u00e9 o Que Voc\u00ea Pensava<\/h4>\n<p>Em 20 de janeiro de 2011, o professor de Economia Pol\u00edtica, Robert Skidelsky, membro da C\u00e2mara dos Lordes brit\u00e2nica e autor de uma biografia premiada do economista John Maynard Keynes, escreveu,34 \u201cO capitalismo pode estar pr\u00f3ximo de esgotar seu potencial para criar uma vida melhor, pelo menos nos pa\u00edses ricos do mundo\u201d. Por \u201cmelhor\u201d, quero dizer melhor eticamente, n\u00e3o materialmente. &#8230;Foi, e \u00e9, um excelente sistema para superar a escassez. Ao organizar a produ\u00e7\u00e3o de forma eficiente, e dirigindo-a para a busca do bem-estar, em vez de poder, levou uma grande parte do mundo a sair da pobreza.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, o que acontece a esse sistema quando a escassez tem se tornado abund\u00e2ncia\u201d? Ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 continuar a produzir mais do mesmo, estimulando apetites cansados com novos dispositivos, emo\u00e7\u00f5es e excita\u00e7\u00f5es? Quanto tempo isso pode continuar? Gastaremos o pr\u00f3ximo s\u00e9culo chafurdando na trivialidade?&#8230;<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, o \u2018esp\u00edrito do capitalismo\u2019 entrou para assuntos humanos um pouco tarde na hist\u00f3ria\u201d. Antes disso&#8230; Uma pessoa que dedicava sua vida a fazer o dinheiro n\u00e3o era considerada um bom modelo. &#8230;Foi s\u00f3 no s\u00e9culo 18 que a gan\u00e2ncia se tornou moralmente respeit\u00e1vel. &#8230;Isto inspirou o Modo de Vida Americano, onde o dinheiro sempre fala mais alto.<\/p>\n<p>\u201cO fim do capitalismo significa simplesmente o fim do desejo de ouvi-lo. As pessoas come\u00e7am a aproveitar o que eles t\u00eam, ao inv\u00e9s de sempre querer mais&#8230; Como mais e mais pessoas encontram-se com o suficiente, pode-se esperar que o esp\u00edrito de ganho perca a sua aprova\u00e7\u00e3o social. O capitalismo teria feito o seu trabalho, e o lucro vai retomar o seu lugar na galeria dos vil\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>\u201c\u201c&#8230;A evid\u00eancia sugere que as economias seriam mais est\u00e1veis e os cidad\u00e3os mais felizes se a riqueza e renda fossem mais bem distribu\u00eddas. A justificativa econ\u00f4mica para grandes desigualdades de renda \u2014 a necessidade de estimular as pessoas a serem mais produtivas \u2014 desmorona quando o crescimento deixa de ser t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>\u201cTalvez o socialismo n\u00e3o seja uma alternativa ao capitalismo, mas o seu herdeiro. Ele herdar\u00e1 a terra n\u00e3o pela remo\u00e7\u00e3o dos ricos de suas propriedades, mas fornecendo motivos e incentivos para os comportamentos que n\u00e3o est\u00e3o relacionados com a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza\u201d.<\/p>\n<h4>A Economia como um Reflexo das Rela\u00e7\u00f5es Humanas<\/h4>\n<p>A raz\u00e3o pela qual a suposi\u00e7\u00e3o de que uma grande renda signifique mais felicidade n\u00e3o reflete a realidade j\u00e1 que nos esquecemos de que a economia inclui um elemento dominante humano. \u00c9 um elemento complexo, n\u00e3o uma ci\u00eancia exata. E acima de tudo, \u00e9 dif\u00edcil medir o elemento humano.<\/p>\n<p>A economia comportamental j\u00e1 provou que o homem n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina racional. Em 1979, os professores Daniel Kahneman e Amos Tversky apresentaram a teoria da &#8220;Perspectiva&#8221;, pela qual Kahneman ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Economia (seis anos ap\u00f3s a morte de Tversky). A pesquisa mostrou que as pessoas s\u00e3o incapazes de analisar situa\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o complexas quando as futuras consequ\u00eancias s\u00e3o incertas. Em vez disso, confiam em atalhos, que parecem fazer sentido, ou regras de ouro, com poucas pessoas avaliando sua probabilidade subjacente35.<\/p>\n<p>Os estudos mencionados acima de Hemenway e Solnick, assim como muitos outros estudos, indicam que a economia diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas, tanto quanto ela explora a forma como os seres humanos conduzem seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>A solu\u00e7\u00e3o \u2014 Rela\u00e7\u00f5es Baseadas na Responsabilidade M\u00fatua<\/h4>\n<p>Pela maioria dos indicadores, a humanidade chegou a um ponto de inflex\u00e3o. Desespero e depress\u00e3o em todo o mundo tornaram-se muito prevalentes. Na Europa, um estudo revelou que, \u201cQuase 40 por cento dos europeus tem doen\u00e7as mentais\u201d 36<\/p>\n<p>O abuso de drogas e \u00e1lcool est\u00e1 em alta e a taxa de div\u00f3rcio em todo o mundo ocidental est\u00e1 subindo rapidamente. Os dados mostram claramente que estamos perdendo as esperan\u00e7as, estamos inseguros e pessimistas, mesmo com a perspectiva de nossos filhos tenham uma vida melhor que a nossa37. Esta tend\u00eancia j\u00e1 existe h\u00e1 alguns anos, mesmo em tempos economicamente mais otimistas, mas a crise atual \u00e9 acelerar e intensificar a tend\u00eancia ao pessimismo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que pode nos fazer feliz? Claramente, cada pessoa precisa ter renda suficiente para a subsist\u00eancia digna, permitindo que as necessidades da vida sejam cumpridas, tais como alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Mas, al\u00e9m disso, como foi demonstrado acima, um aumento no bem-estar s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por meio da melhoria das rela\u00e7\u00f5es humanas, e n\u00e3o por aumento de patrim\u00f4nio pessoal. Precisamos mudar de uma atitude de aliena\u00e7\u00e3o a uma de considera\u00e7\u00e3o e de responsabilidade m\u00fatua, onde todos s\u00e3o fiadores do bem-estar uns dos outros.<\/p>\n<p>Com um mundo global e estreitamente integrado, temos que ajustar nossas conex\u00f5es em conformidade. Devemos chegar a sentir que os sistemas sociais e econ\u00f4micos e intera\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o baseados no cuidado, considera\u00e7\u00e3o e responsabilidade m\u00fatua. Quando as pessoas se sentem confiantes de que n\u00e3o ser\u00e3o exploradas ou usadas, elas abaixam suas barreiras de defesa contra os outros. Em outras palavras, precisamos de responsabilidade m\u00fatua, a fim de sermos felizes, e a responsabilidade m\u00fatua n\u00e3o pode ser comprada com dinheiro.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos estudos apresentados acima e de outros semelhantes a eles \u00e9 que eles provam que a riqueza n\u00e3o \u00e9 um pr\u00e9-requisito para a felicidade. Em vez disso, o cuidado, considera\u00e7\u00e3o, responsabilidade m\u00fatua e seguran\u00e7a financeira s\u00e3o os melhores meios para a obten\u00e7\u00e3o de felicidade do que apenas ser rico. Se conseguirmos criar um ambiente que instiga valores de solidariedade, cuidado com os outros, e de responsabilidade m\u00fatua, seremos capazes de aumentar o n\u00edvel de felicidade pessoal de cada pessoa na sociedade. \u00c9 por isso que a responsabilidade m\u00fatua \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o nascemos iguais, alguns nascem mais inteligentes, alguns mais fortes, outros mais ricos, e alguns com melhor sa\u00fade. Enquanto a sociedade continua a dizer-nos que temos de competir com os outros, ultrapass\u00e1-los em dinheiro e recursos, n\u00e3o vamos alcan\u00e7ar a igualdade social, e em um mundo global integral, igualdade social e responsabilidade m\u00fatua s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para a felicidade pessoal. Para resolver os problemas mentais, emocionais, econ\u00f4micos e financeiros de nosso mundo, n\u00f3s devemos criar uma sociedade baseada em uma rede de responsabilidade m\u00fatua, em que cada pessoa participa nas atividades da sociedade e recebe dela o que se precisa para sustento razo\u00e1vel. Quando criamos essa sociedade, haver\u00e1 a verdadeira igualdade, e o sentimento de injusti\u00e7a e deprava\u00e7\u00e3o que prevalecem no clima social de hoje ser\u00e3o coisas do passado.<\/p>\n<p>A chave para a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em cultivar valores como a generosidade, a considera\u00e7\u00e3o e o cuidado m\u00fatuo para substituir os valores do materialismo e da competitividade. Isto aumentar\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de felicidade, tamb\u00e9m. N\u00f3s descobriremos que realizar o nosso potencial s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em uma sociedade que se conduz pelo princ\u00edpio da responsabilidade m\u00fatua. A satisfa\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e seguran\u00e7a que derivar\u00e1 de viver em uma sociedade harmoniosa nos trar\u00e1 a felicidade que almejamos e temos sido incapazes de alcan\u00e7ar por meios monet\u00e1rios.<\/p>\n<p>27 Brian Halweil and Lisa Mastny (project directors), <em>State of the World 2004: A Worldwatch Institute Report on Progress Toward a Sustainable Society<\/em>, Linda Starke, Editor (N.Y., W.W. Norton &amp; Company, Inc., 2004), http:\/\/ec- web.elthamcollege.vic.edu.au\/snrlibrary\/resources\/subjects\/geography\/world_watch_institute\/pdf\/ESW040.pdf, Figure 8-1, p 166<\/p>\n<p>28 Nic Marks, \u201cThe Happy Planet Index,\u201d <em>TED, Ideas Worth Spreading <\/em>(July 2010), <a href=\"http:\/\/www.ted.com\/talks\/nic_marks_the_happy_planet_index.html\">http:\/\/www.ted.com\/talks\/nic_marks_the_happy_planet_index.html<\/a><\/p>\n<p>29 James Truslow Adams, <em>The Epic of America <\/em>(U.S.A. Taylor &amp; Francis, 1935), 415<\/p>\n<p>30 Tal Ben Shahar, \u201cOur Happiness Scheme is Wrong, and Then Comes Frustration, <em>Calcalist <\/em>(17 de Abril de 2011),<a href=\"http:\/\/www.calcalist.co.il\/local\/articles\/0%2C7340%2CL-3515186%2C00.html\"> http:\/\/www.calcalist.co.il\/local\/articles\/0,7340,L-3515186,00.html<\/a><\/p>\n<p>31 Solnick, S.J., &amp; Hemenway, D., (1998). \u201cIs more always better? A survey on positional concerns.\u201d <em>Journal of<\/em><\/p>\n<p><em>Economic Behavior &amp; Organization<\/em>, 37 (3), 373-383.<\/p>\n<p>32 The study is quoted in an online essay, \u201cMisery Loves Company: Recession Edition,\u201d in the blog, <em>Macro and Other Market Musings <\/em>(December 27, 2008), <a href=\"http:\/\/macromarketmusings.blogspot.com\/2008\/12\/misery-loves-\">http:\/\/macromarketmusings.blogspot.com\/2008\/12\/misery-loves-<\/a> company-recession-edition.html<\/p>\n<p>33 Talya Miron-Shatz, \u201c\u2018Am I going to be happy and financially stable?\u2019: How American women feel when they think about financial security,\u201d <em>Judgment and Decision Making<\/em>, vol. 4, no. 1, February 2009, Princeton University, pp. 102-112 (<a href=\"http:\/\/journal.sjdm.org\/9118\/jdm9118.html#note1)\">http:\/\/journal.sjdm.org\/9118\/jdm9118.html#note1)<\/a><\/p>\n<p>34 Robert Skidelsky, \u201cLife after Capitalism,\u201d <em>Project Syndicate <\/em>(January 20, 2011), http:\/\/www.project- syndicate.org\/commentary\/skidelsky37\/English<\/p>\n<p>35 Daniel Kahneman, <em>Encyclop\u00e6dia Britannica<\/em>, <a href=\"http:\/\/www.britannica.com\/EBchecked\/topic\/891306\/Daniel-\">http:\/\/www.britannica.com\/EBchecked\/topic\/891306\/Daniel-<\/a> Kahneman<\/p>\n<p>36 \u201cFast 40 Prozent der Europ\u00e4er sind psychisch krank\u201d (translation: \u201cNearly 40 percent of Europeans are mentally ill\u201d), <em>Der Spiegel <\/em>(September 5, 2011), <a href=\"http:\/\/www.spiegel.de\/wissenschaft\/medizin\/0%2C1518%2C784400%2C00.html\">http:\/\/www.spiegel.de\/wissenschaft\/medizin\/0,1518,784400,00.html<\/a><\/p>\n<p>37 Toby Helm, \u201cMost Britons believe children will have worse lives than their parents \u2013 poll,\u201d <em>The Guardian <\/em>(3 de Dezember de 2011), <a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/society\/2011\/dec\/03\/britons-children-lives-parents-\">http:\/\/www.guardian.co.uk\/society\/2011\/dec\/03\/britons-children-lives-parents-<\/a> poll?INTCMP=SRCH<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro&nbsp;\u201cOs Benef\u00edcios da Nova Economia\u201d A chave para a felicidade n\u00e3o \u00e9 a riqueza, mas uma conex\u00e3o de responsabilidade m\u00fatua entre n\u00f3s Pontos-chave Estudos comprovam que, al\u00e9m de certo rendimento, a renda adicional n\u00e3o necessariamente aumenta a felicidade. 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