{"id":1616,"date":"2014-10-30T13:41:41","date_gmt":"2014-10-30T16:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/?p=1616"},"modified":"2017-10-30T14:57:22","modified_gmt":"2017-10-30T17:57:22","slug":"capitulo-2-quero-logo-sou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/livros\/capitulo-2-quero-logo-sou\/","title":{"rendered":"CAP\u00cdTULO 2: Quero, Logo Sou"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Do livro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.michaellaitman.com\/livros\/como-um-feixe-de-juncos\/\">&#8220;Como Um Feixe de Juncos&#8221;<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>A Vida como uma Evolu\u00e7\u00e3o de Desejos<\/strong><\/h2>\n<p>No cap\u00edtulo anterior, dissemos que o nome, <em>Ysrael <\/em>(Israel), combina as palavras <em>Yashar <\/em>(direito) e&nbsp;&nbsp; <em>El &nbsp;<\/em>(Deus). &nbsp;Estabelecemos &nbsp;que &nbsp;o &nbsp;nome &nbsp;surgiu quando Abra\u00e3o reuniu pessoas que desejavam alcan\u00e7ar o Criador,&nbsp; descobrir&nbsp; Deus,&nbsp; e&nbsp; que&nbsp; foram&nbsp;&nbsp; chamadas&nbsp;&nbsp; \u201cIsrael\u201d segundo esse desejo. Neste cap\u00edtulo discutiremos a forma\u00e7\u00e3o dos desejos em geral, e a forma\u00e7\u00e3o&nbsp; do&nbsp; desejo&nbsp; pelo Criador, nomeadamente Israel, em particular. Para fazer isso, precisamos de examinar a realidade como uma evolu\u00e7\u00e3o&nbsp; de desejos.<\/p>\n<p>Em 1937, Baal HaSulam publicou <em>Talmude \u00casser HaSefirot <\/em>(O Estudo das Dez Sefirot), um coment\u00e1rio monumental sobre os escritos do ARI, autor de <em>A \u00c1rvore&nbsp;&nbsp; da Vida. <\/em>No coment\u00e1rio, o autor entra em grande detalhe para explicar que na base da realidade reside o desejo de&nbsp; dar, a que ele&nbsp; chama \u201ca&nbsp; vontade de doar,\u201d que ent\u00e3o&nbsp; criou a vontade de receber. Esta \u00e9 a raz\u00e3o porque, explica Baal HaSulam, nossos s\u00e1bios testemunham que \u201cEle \u00e9 bom e faz o bem\u201d41 e falam de \u201cSeu desejo de fazer o bem \u00e0s Suas cria\u00e7\u00f5es\u201d.42<\/p>\n<p>Na Parte 1 de <em>O Estudo das Dez Sefirot<\/em>, Baal HaSulam explica porque a vontade de doar necessariamente criou a vontade de receber, e porque os dois desejos est\u00e3o na base do todo da Cria\u00e7\u00e3o. Nas suas palavras, \u201cAssim que Ele contemplou a cria\u00e7\u00e3o em prol de deleitar&nbsp; Suas criaturas, esta Luz [prazer] imediatamente se prolongou e expandiu d\u2019Ele na completa medida e forma dos prazeres que Ele havia contemplado. Tudo est\u00e1 inclu\u00eddo nesse pensamento, a que chamamos \u2018O Pensamento da Cria\u00e7\u00e3o\u2019. &#8230;O Ari disse que no princ\u00edpio, uma Luz superior e simples havia preenchido o todo da realidade. Isto significa que uma vez que o Criador contemplou deleitar as cria\u00e7\u00f5es, e a Luz se expandiu e partiu d\u2019Ele, o desejo de receber Seus Prazeres&nbsp; foi imediatamente impresso nesta Luz\u201d.43<\/p>\n<p>Para sublinhar a suposi\u00e7\u00e3o de que a vontade de doar, o Criador, criou a vontade de receber em prol de lhe dar prazer, Baal HaSulam categoriza essa se\u00e7\u00e3o, \u201cA vontade de doar no Emanador necessariamente gera a vontade de receber no emanado, e ela [a vontade de receber] \u00e9 o vaso&nbsp; na qual o emanado recebe Sua Abund\u00e2ncia\u201d.44<\/p>\n<p>Ashlag n\u00e3o foi o primeiro a se referir \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da vontade de receber pela vontade de doar, por isso ele o fez mais implicitamente. Rabi Isaiah HaLevi Horowitz (O Sagrado Shlah) tamb\u00e9m escreveu que \u201cUma vez que Ele favoreceu fazer o bem \u00e0s Suas cria\u00e7\u00f5es, Ele as desejou beneficiar com o verdadeiro benef\u00edcio, como com a mat\u00e9ria da cria\u00e7\u00e3o da inclina\u00e7\u00e3o do mal [desejo de receber, ego\u00edsmo], que \u00e9 a favor das cria\u00e7\u00f5es\u201d.45<\/p>\n<p>Semelhante aos dois mencionados acima os s\u00e1bios,&nbsp; Rabi Nathan Sternhertz escreve em <em>Likutey Halachot&nbsp; <\/em>[<em>Regras Sortidas<\/em>], \u201cO Senhor aumenta Suas miseric\u00f3rdias e gentileza, pois Ele desejou beneficiar Suas cria\u00e7\u00f5es no melhor poss\u00edvel de todo o melhor\u201d.46<\/p>\n<p>Assim, a vontade de doar, o Criador, deseja doar sobre n\u00f3s, Suas cria\u00e7\u00f5es, e \u00e9 suposto recebermos esse benef\u00edcio, a doa\u00e7\u00e3o. Todavia, o que \u00e9 esse benef\u00edcio, o bem que \u00e9&nbsp; suposto recebermos?<\/p>\n<p>Na sua \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Estudo das Dez Sefirot\u201d, Baal HaSulam escreve que o benef\u00edcio que \u00e9 suposto recebermos \u00e9 alcan\u00e7ar o Criador, tal como Abra\u00e3o fez h\u00e1 praticamente 4000 anos atr\u00e1s. Nas palavras de Ashlag, \u201c[quando alcan\u00e7amos] sente -se o maravilhoso benef\u00edcio contido no Pensamento da Cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 deleitar Suas criaturas com Sua m\u00e3o completamente bondosa e generosa. Devido \u00e0 abund\u00e2ncia do benef\u00edcio que se alcan\u00e7a, amor maravilhoso aparece entre uma pessoa e o Criador, incessantemente derramando sobre ela pelos pr\u00f3prios trilhos e&nbsp; canais&nbsp; atrav\u00e9s dos quais o amor natural aparece. Contudo, tudo isto chega a uma pessoa a partir do momento em que ela alcan\u00e7a e da\u00ed em diante.\u201d47<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar o Criador, temos de ter qualidades semelhantes \u00e0s Suas, ou nos termos de Baal HaSulam,&nbsp; temos de obter \u201cequival\u00eancia de forma\u201d com Ele. Na \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Livro, <em>Panim Meirot uMasbirot <\/em>[Face Brilhante e Acolhedora] \u201c, Ashlag escreve, \u201cAssim, como pode-se alcan\u00e7ar a Luz &#8230; quando se est\u00e1 separado e em completa oposi\u00e7\u00e3o de forma &#8230; e h\u00e1 grande \u00f3dio entre eles [Criador e pessoa]? &#8230;Desta forma, a pessoa &#8230; lentamente purifica e inverte a forma de recep\u00e7\u00e3o para ser em prol de doar. Voc\u00ea descobrir\u00e1 que a pessoa equaliza&nbsp; sua&nbsp; forma&nbsp; com &nbsp;o &nbsp;sistema &nbsp;de santidade, e a equival\u00eancia e amor entre eles regressa &#8230; Assim, se \u00e9 recompensado com&nbsp; a&nbsp; Luz&nbsp; &#8230; uma vez que se entrou na presen\u00e7a do Criador.\u201d48<\/p>\n<h6>&nbsp;<\/h6>\n<p><strong>QUATRO N\u00cdVEIS DE DESEJO MOLDAM A REALIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Quando examinando a realidade da perspectiva&nbsp; da&nbsp; evolu\u00e7\u00e3o de desejos, os Cabalistas descobriram que a vontade de receber que acabamos de descrever cont\u00e9m quatro n\u00edveis distintos, im\u00f3vel (inanimado), vegetativo (flora), animado (fauna), e falante (humano). Desde que o ARI mencionou a divis\u00e3o da realidade nesses quatro n\u00edveis no s\u00e9culo XVI,49 numerosos acad\u00eamicos e Cabalistas discutiram esses quatro n\u00edveis. O MALBIM (Meir Leibush ben Iehiel Michel Weiser),50 Rabi Pinhas&nbsp; HaLevi&nbsp; Horovitz,51 e o RABaD (Rabi Avraham Ben David), que escreveram, \u201cTodas as criaturas do mundo s\u00e3o im\u00f3veis, vegetativas, animadas e falantes\u201d,52 s\u00e3o sen\u00e3o tr\u00eas de numerosos s\u00e1bios que se referem \u00e0 realidade como consistindo desses quatro &nbsp;n\u00edveis.<\/p>\n<p>Todavia, nenhum s\u00e1bio ou acad\u00eamico \u00e9 t\u00e3o descritivo como Baal HaSulam. Seus escritos, que explicitamente pretendeu que todos lessem e compreendessem, sistem\u00e1tica&nbsp; e elaboradamente detalham a estrutura da realidade da maneira que os Cabalistas e acad\u00eamicos Judeus a percebiam durante&nbsp; as eras.&nbsp;&nbsp; Em seu ensaio, \u201cA Liberdade\u201d,&nbsp;&nbsp; ele explica a estrutura dos desejos im\u00f3vel, vegetativo, animado e falante sob a se\u00e7\u00e3o, \u201cLei da Causalidade\u201d. Ele explica que todos os elementos da realidade est\u00e3o ligados e emergem uns dos outros. Nas suas palavras, \u201c\u00c9 verdade que h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o geral entre todos os elementos da realidade perante n\u00f3s, que se regem pela lei da causalidade, por meio de causa e efeito, avan\u00e7ando em frente. E como o todo, assim cada item em&nbsp;&nbsp; si mesmo, ou seja que toda e cada criatura no mundo dos quatro tipos, im\u00f3vel, vegetativo, animado e falante, se rege pela lei da causalidade por meio de causa e efeito.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do mais, cada forma particular de um comportamento particular, que uma criatura segue enquanto neste mundo, \u00e9 empurrada por causas antigas, a obrigando a aceitar mudan\u00e7a nesse comportamento e n\u00e3o outro que se pare\u00e7a. Isto \u00e9 aparente a todos aqueles que examinam os caminhos da Natureza de um ponto de vista puramente cientifico e sem uma migalha de influ\u00eancia. Certamente, devemos analisar esta mat\u00e9ria para nos permitirmos a n\u00f3s mesmos examin\u00e1 -la de todos os lados.\u201d53<\/p>\n<p><strong>OS QUATRO N\u00cdVEIS DENTRO DE N\u00d3S<\/strong><\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais, nossos s\u00e1bios afirmam, os n\u00edveis de im\u00f3vel, vegetativo e falante n\u00e3o s\u00e3o exclusivos \u00e0 natureza externa. Eles existem dentro de todo e cada um de n\u00f3s, formando a base dos nossos desejos e at\u00e9 da estrutura interior de cada desejo. Rabi Nathan Neta Shapiro escreve, \u201cH\u00e1 quatro&nbsp; for\u00e7as no homem, inanimado, vegetativo, animado e&nbsp; falante, e Israel t\u00eam ainda outra, quinta parte, pois eles s\u00e3o&nbsp; o Divino falante.\u201d54<\/p>\n<p>Baal HaSulam fornece uma explica\u00e7\u00e3o mais elaborada da maneira como e stes n\u00edveis de&nbsp; desejos&nbsp; funcionam&nbsp; dentro de n\u00f3s: \u201cN\u00f3s distinguimos quatro divis\u00f5es &nbsp;na esp\u00e9cie falante [humanos], ordenadas em grada\u00e7\u00f5es uma sobre a outra. Essas s\u00e3o as Massas, os Fortes, os Ricos, e os Sagazes. Elas s\u00e3o iguais aos quatro graus no todo da realidade, chamados \u2018Inanimado\u2019, \u2018Vegetativo\u2019, \u2018Animado\u2019,&nbsp;&nbsp; e \u2018Falante\u2019.<\/p>\n<p>\u201cO inanimado &#8230; suscita as tr\u00eas propriedades, vegetativo, animado, e falante. &#8230; A mais pequena for\u00e7a entre elas \u00e9 a vegetativa. A flora opera ao atrair o que \u00e9 ben\u00e9fico para ela e rejeitando o prejudicial muito&nbsp; da&nbsp; mesma maneira que os humanos e a nimais. Contudo, n\u00e3o h\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o individual nela, mas uma for\u00e7a&nbsp; coletiva, comum a todas as plantas no mundo&#8230;<\/p>\n<p>\u201cSobre elas est\u00e1 o animado. Cada criatura sente a si mesma, atraindo o que \u00e9 ben\u00e9fico a ela e rejeitando o prejudicial. &#8230;Esta for\u00e7a sens\u00edvel no Animado \u00e9 muito limitada em tempo e espa\u00e7o, uma vez que a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o opera sequer a mais curta dist\u00e2ncia fora de seu corpo. Tamb\u00e9m, ele n\u00e3o sente nada fora de sua pr\u00f3pria estrutura temporal, ou seja no passado ou no futuro, mas somente&nbsp;&nbsp; no&nbsp; presente momento.<\/p>\n<p>\u201cAcima delas est\u00e1 o falante, consistindo de uma for\u00e7a emocional e uma for\u00e7a intelectual juntas. Por&nbsp; esta raz\u00e3o,&nbsp; seu&nbsp; poder&nbsp; em atrair&nbsp; o que&nbsp; \u00e9 bom&nbsp; para&nbsp; ele e rejeitar&nbsp;&nbsp; o que \u00e9 prejudicial e ilimitado no tempo e lugar, como \u00e9 no animado. Devido \u00e0 ci\u00eancia, que \u00e9&nbsp; uma&nbsp; faculdade intelectual, ilimitada pelo tempo e lugar, se consegue&nbsp; ensinar a outros onde quer que eles estejam no todo da realidade, no passado ou no futuro, e no decorrer das gera\u00e7\u00f5es.\u201d55<\/p>\n<p><strong>ONDE&nbsp; N\u00d3S&nbsp; SOMOS&nbsp; LIVRES&nbsp; PARA ESCOLHER<\/strong><\/p>\n<p>Tal como aprendemos de Baal HaSulam, a diferen\u00e7a entre&nbsp;&nbsp; o n\u00edvel falante da realidade e os outros&nbsp; tr\u00eas n\u00edveis,&nbsp;&nbsp; tanto&nbsp;&nbsp; na sua natureza geral e dentro de n\u00f3s, \u00e9 que n\u00f3s somos ilimitados em tempo e lugar enquanto escolhendo o que aproximar a n\u00f3s e o que repelir. Colocando-o diferentemente,&nbsp; no&nbsp; todo&nbsp; da&nbsp; Natureza,&nbsp; a&nbsp; ra\u00e7a&nbsp; humana&nbsp; \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie que tem liberdade de&nbsp; escolha.&nbsp; Enquanto todas&nbsp; as&nbsp; outras&nbsp; criaturas&nbsp; seguem&nbsp; as&nbsp;&nbsp; ordens&nbsp;&nbsp; da&nbsp;&nbsp; Natureza involuntariamente, n\u00f3s podemos <em>escolher <\/em>se as seguimos ou n\u00e3o. Lamentavelmente, como \u00e9 evidenciado pelas crises globais de hoje, quando escolhemos ir contra&nbsp;&nbsp;&nbsp; as ordens da Natureza sem completo conhecimento das implica\u00e7\u00f5es de nossas a\u00e7\u00f5es,&nbsp; sofremos&nbsp; duras&nbsp; consequ\u00eancias pelos nossos &nbsp;erros.<\/p>\n<p>E uma vez que interiormente consistimos dos mesmos quatro n\u00edveis, a mesma regra se aplica dentro de n\u00f3s, e somente aqueles desejos e qualidades dentro de n\u00f3s que pertencem ao n\u00edvel falante s\u00e3o aquelas nas quais temos liberdade&nbsp; de escolha.<\/p>\n<p>Dentro de n\u00f3s, os desejos b\u00e1sicos naturais, para reprodu\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, por abrigo e por alimenta\u00e7\u00e3o, correspondem aos primeiros tr\u00eas n\u00edveis de desejos na Natureza, inanimado, vegetativo, e animado. O quarto n\u00edvel, \u201cfalante,\u201d manifesta dentro&nbsp; de&nbsp; n\u00f3s&nbsp; desejos&nbsp; por prosperidade al\u00e9m das nossas necessidades, poder,&nbsp; fama, respeito e conhecimento. A diferen\u00e7a fundamental entre os tr\u00eas n\u00edveis inferiores e o do topo \u00e9 que os tr\u00eas inferiores existem em cada criatura na terra. Cada criatura procura assegurar a exist\u00eancia da sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie e manter&nbsp; sua&nbsp; descend\u00eancia&nbsp; a&nbsp; salvo&nbsp; num&nbsp; abrigo&nbsp; &nbsp;adequado.<\/p>\n<p>Inversamente,&nbsp; o&nbsp; quarto&nbsp; n\u00edvel&nbsp; de&nbsp; desejos,&nbsp; que definiremos rudemente como \u201cdesejos por riqueza, honra e conhecimento,\u201d s\u00e3o exclusivamente humanos.<\/p>\n<p>Tal como na sua natureza geral, os tr\u00eas n\u00edveis inferiores funcionam automaticamente, de acordo com as ordens da Natureza. A \u00fanica faculdade na qual h\u00e1 liberdade de escolha \u00e9 o n\u00edvel falante de desejos. Desta forma, devemos primeiro aprender os funcionamentos da nossa natureza interior antes que tentemos satisfazer os desejos do n\u00edvel superior.<\/p>\n<p>Para sermos capazes de trabalhar com o quarto n\u00edvel de desejos, precisamos de saber o que afeta esses desejos e o prop\u00f3sito de sua exist\u00eancia dentro de n\u00f3s. Com efeito, h\u00e1 outro n\u00edvel de desejos dentro de n\u00f3s que \u201csuplanta\u201d todos&nbsp;&nbsp; os quatro n\u00edveis, e que existe somente nos humanos.<\/p>\n<h6>&nbsp;<\/h6>\n<p><strong>O PONTO NO CORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o n\u00edvel a que Rabi Nathan Shapiro chamou, \u201co&nbsp; Divino falante\u201d. Ele \u00e9 este desejo que nos propulsiona a explorar como este mundo funciona, o que o faz funcionar&nbsp; e como ele o faz, e porqu\u00ea. Ele \u00e9 o desejo a que chamamos \u201cIsrael\u201d, Yashar El (direito ao Criador). Em Abra\u00e3o, esse desejo apareceu como o anseio de saber \u201cComo era poss\u00edvel que esta roda sempre rodasse sem um condutor? Quem a roda, pois ela n\u00e3o se pode rodar a si mesma?\u201d56<\/p>\n<p>Baal HaSulam chamou a esse desejo de conhecer o Criador, \u201co ponto no cora\u00e7\u00e3o\u201d. Na sua \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o de O Livro do Zohar\u201d, ele explica que o cora\u00e7\u00e3o pode ser visto como o todo dos nossos desejos, e que \u201co ponto&nbsp; no&nbsp; cora\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o desejo dentro de n\u00f3s que aponta para o Criador.57&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meu&nbsp; professor,&nbsp; o&nbsp; Rav&nbsp; Baruch&nbsp; Shalom &nbsp;HaLevi Ashlag (o Rabash), o filho primog\u00eanito de Baal HaSulam e seu sucessor, explicou que o \u201cponto no cora\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o desejo chamado&nbsp; \u201cIsrael\u201d.&nbsp; Nas&nbsp; suas&nbsp; palavras,&nbsp; \u201cH\u00e1&nbsp; tamb\u00e9m&nbsp; Israel numa pessoa &#8230; mas ela \u00e9 chamada \u2018um ponto no&nbsp; cora\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d58<\/p>\n<p>Agora podemos ver porque Abra\u00e3o estava t\u00e3o determinado&nbsp;&nbsp;&nbsp; a&nbsp; partilhar&nbsp; o&nbsp; que&nbsp; ele&nbsp; havia&nbsp; descoberto. Ele sabia que os desejos humanos estavam evoluindo, e ele&nbsp; sabia que quanto mais eles evoluem, mais eles se voltar\u00e3o para adquirir prosperidade, poder, domina\u00e7\u00e3o sobre os outros e conhecimento. Era claro para ele que sem adquirir o conhecimento da natureza dos desejos humanos, as pessoas n\u00e3o seriam capazes de se gerir a si mesmas e suas sociedades adequadamente.<\/p>\n<p>Assim que Nimrod teve sucesso em impedir os&nbsp; esfor\u00e7os de Abra\u00e3o de circular seu conhecimento aos Babil\u00f4nios, esse homem s\u00e1bio juntou aqueles que o seguiam e saiu da Babil\u00f4nia para espalhar sua&nbsp; mensagem&nbsp; no exterior. Certamente, o legado de Abra\u00e3o para n\u00f3s \u00e9 que aqueles que compreenderam o que ele havia ensinado deviam partilhar o conhecimento com quem quer que estivesse disposto a escutar. Nas palavras de <em>O Livro do Zohar<\/em>, \u201cAbra\u00e3o cavou esse po\u00e7o [Beer Sheba]. Ele descobriu-o porque ele havia ensinado a todas as pessoas&nbsp; no mundo a servir o Criador. E assim que ele o cavou, ele emite \u00e1guas vivas que nunca cessam.\u201d59<\/p>\n<p>O povo de Israel de hoje s\u00e3o os descendentes dos estudantes de Abra\u00e3o, pessoas com pontos nos seus cora\u00e7\u00f5es, o ponto de Israel dentro delas. E embora esse ponto agora esteja enterrado por baixo de s\u00e9culos de esquecimento, ele existe e aguarda ser reacendido. Nas palavras do Sagrado Shlah, \u201cIsrael s\u00e3o chamados a \u2018Assembleia&nbsp; de&nbsp; Israel\u2019,&nbsp; pois&nbsp; embora&nbsp; abaixo&nbsp; eles&nbsp; estejam separados uns dos outros, todavia, acima, na raiz de suas almas, eles s\u00e3o uma unidade, e est\u00e3o congregados, pois s\u00e3o&nbsp;&nbsp; a parte do Senhor. Os ramos [o povo de Israel] que desejam regressar a suas ra\u00edzes devem seguir o exemplo de suas ra\u00edzes,&nbsp;&nbsp; ou&nbsp;&nbsp; seja&nbsp;&nbsp; se&nbsp;&nbsp; unirem&nbsp;&nbsp; abaixo&nbsp;&nbsp; tamb\u00e9m.&nbsp;&nbsp; Quando &nbsp;a separa\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre eles, aparentemente causam separa\u00e7\u00e3o&nbsp; e divis\u00e3o acima, vejam qu\u00e3o longe a quest\u00e3o se prolonga. Desta forma, o todo da casa de Israel deve perseguir a paz e ser um, em paz e completude, sem um defeito, para se assemelhar a seu Fazedor [estarem em equival\u00eancia de forma com Ele], pois assim \u00e9 o nome do Senhor, \u2018Paz\u2019.\u201d60<\/p>\n<p>Assim que Israel se una e assim se corrigir\u00e1, a si mesmos, eles podem concretizar sua voca\u00e7\u00e3o e&nbsp; serem&nbsp; \u201cUma luz para as na\u00e7\u00f5es\u201d (Isa\u00edas 42:6). Nas&nbsp; palavras&nbsp; de Rabi Naftali Tzvi Yehuda Berlin (O <em>NATZIV <\/em>de Volojin),&nbsp; \u201cA principal raz\u00e3o pela qual maioria de n\u00f3s vive em ex\u00edlio&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00e9 que o Senhor divulgou a Abra\u00e3o Nosso Pai&nbsp; que&nbsp; seus&nbsp; filhos foram feitos para serem uma luz para as na\u00e7\u00f5es, que&nbsp;&nbsp; \u00e9 imposs\u00edvel a menos que estejam dispersos no&nbsp; ex\u00edlio.&nbsp; Assim foi Jac\u00f3, Nosso Pai, quando ele chegou ao&nbsp; Egito, onde a maioria do povo estava. Com isso, Seu nome se tornou grande, quando eles viram Sua provid\u00eancia sobre Jac\u00f3 e seus &nbsp;descendentes.\u201d61<\/p>\n<p>Falando da evolu\u00e7\u00e3o dos desejos, a ra\u00e7a humana constitui o quarto e mais alto n\u00edvel de desejo, o \u00fanico que permite o livre arb\u00edtrio. Mas para tomar as escolhas certas, as pessoas precisam saber como tudo funciona a partir da sua raiz. O povo Israelita re presenta&nbsp; o desejo de conhecer&nbsp;&nbsp; a raiz, e desta forma \u00e9 sua responsabilidade estudar a raiz,&nbsp;&nbsp;&nbsp; e transmitir seus discernimentos e percep\u00e7\u00f5es ao resto da humanidade. Assim, todos saber\u00e3o como fazer com&nbsp; que suas escolhas funcionem para seu benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Para obter esse conhecimento, Abra\u00e3o formou um m\u00e9todo de estudo que os s\u00e1bios durante as eras&nbsp;&nbsp; nutriram&nbsp;&nbsp;&nbsp; e desenvolveram. O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo descrever\u00e1&nbsp; a&nbsp; evolu\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo, que desde que foi escrito O Livro&nbsp; do Zohar, tem sido referido como \u201cCabal\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro&nbsp;&#8220;Como Um Feixe de Juncos&#8221; A Vida como uma Evolu\u00e7\u00e3o de Desejos No cap\u00edtulo anterior, dissemos que o nome, Ysrael (Israel), combina as palavras Yashar (direito) e&nbsp;&nbsp; El &nbsp;(Deus). &nbsp;Estabelecemos &nbsp;que &nbsp;o &nbsp;nome &nbsp;surgiu quando Abra\u00e3o reuniu pessoas que<span class=\"ellipsis\">&hellip;<\/span><\/p>\n<div class=\"read-more\"><a href=\"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/livros\/capitulo-2-quero-logo-sou\/\">Leia mais &#8250;<\/a><\/div>\n<p><!-- end of .read-more --><\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[729],"class_list":["post-1616","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-como-um-feixe-de-juncos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1616","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1616\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.michaellaitman.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}